Com duas décadas dedicadas ao serviço público, o secretário de Estado da Administração, Guilberth Marinho Garcês, afirma que o Maranhão vive um novo momento na gestão pública, marcado pela modernização administrativa, digitalização de processos e fortalecimento da tecnologia da informação.
Servidor federal de carreira do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão desde 2006, ele relembrou os desafios encontrados ao assumir o Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Maranhão (IPREV) e, posteriormente, a Secretaria de Estado da Administração (SEAD), a convite do governador Carlos Brandão.
Durante entrevista para O Informante, o secretário destacou avanços como a implantação de processos digitais, a adesão pioneira do Maranhão ao Programa Nacional de Gestão e Inovação, a ampliação de políticas voltadas ao servidor público e a realização do que classificou como o maior concurso público da história do estado, com quase 6 mil vagas previstas para 2026.
CONFIRA A ENTREVISTA NA ÍNTEGRA:
O senhor passou mais de 15 anos no TRE, onde chegou a ser secretário de Gestão de Pessoas, quando o governador Carlos Brandão chamou o senhor primeiro para o IPREV e depois para a SEAD. O que mudou na forma como enxergava a gestão pública? A escala estadual impõe desafios que a Justiça Eleitoral não preparava?
“Com certeza. A Justiça Eleitoral eu chamaria de primo rico do estado do Maranhão. É uma Justiça Eleitoral, é uma Justiça, um serviço público de alta performance, em que esta cultura foi estabelecida ao longo dos anos, baseada em eixos de governança e gestão. E vir para o estado do Maranhão é um choque cultural muito grande. Por exemplo, o IPREV, um órgão que devia ser centralizado, tinha umas cinco unidades. Não tinha como ter integração, não tinha como ter alinhamento, em que você passava parte do seu dia levando processos físicos de um lado para o outro. E o presidente do IPREV, nem o presidente do IPREV tinha um computador. Mas também acho que não ia fazer muito sentido, porque até então nossos processos todos eram físicos. E essa mudança só aconteceu na gestão do governador Carlos Brandão, tirando o papel das mesas dos servidores e transformando esses processos em digitais. Então hoje a gente utiliza o principal sistema eletrônico do Brasil. E o grande desafio estava em trazer a maturidade dessa experiência que já tinha acontecido no Tribunal Eleitoral para trazer para o Governo do Estado do Maranhão. E isso realmente aconteceu e vem acontecendo. Como a decisão do governador de trazer um dos eixos de governança e gestão, que é a tecnologia da informação, criando uma secretaria de Estado ali, uma agência de tecnologia. Não existia no Maranhão. E outras coisas que aconteceram demonstram que houve, sim, um choque de realidade, mas que foi em cima da experiência que a gente trouxe que estamos conseguindo fazer várias implementações.”
O Maranhão foi o primeiro estado do Brasil a aderir ao Programa Nacional de Gestão e Inovação e concluiu todas as metas quatro meses antes do prazo. Reconhecimento anunciado no CONSAD, o maior evento nacional de gestão pública. O que significa para o senhor ter colocado o Maranhão nesse lugar de referência nacional?
“É muito importante. Primeiro demonstra o patrocínio do governador Carlos Brandão. Há um patrocínio claro e há um conhecimento claro sobre o que é a administração pública. A experiência dele como secretário de Estado, vice-governador, deputado, ele trouxe tudo isso para a administração e tratou a área-meio como área estratégica do Governo do Estado. Receber este prêmio demonstra que nós tivemos metas, existiam aqueles gaps, aquelas lacunas para serem alcançadas. Nós encaramos essas lacunas mais do que metas, como verdadeiros desafios diários. E as metas foram cumpridas, metas inclusive muito representativas, não só como implantação de sistema eletrônico, mas também, por exemplo, nós somos um dos estados que mais emitem a Carteira de Identificação Nacional. Então, com isso, a gente conseguiu trazer programas estruturantes do Governo Federal para serem implantados de maneira prática no estado do Maranhão. E eles mesmos nos têm como um case de sucesso.”
Bom, a SEAD criou o Espaço Bem-Estar, instituiu a cota de contratação para mulheres em situação de violência doméstica nos contratos do Estado e levou benefícios para os municípios do interior. Como o senhor define essa visão de gestão de pessoas dentro do setor público?
“O serviço público acontece por pessoas. Então, todas as mudanças até aqui relatadas aconteceram por esforço, por dedicação de um grupo de servidores que, para cumprir a missão, dedicam-se diariamente para isso. E é um cuidado todo especial cuidar delas. E a gente, mais uma vez, pegou um importante eixo, que é a gestão e a governança de pessoas, para trazer benefícios práticos. Por exemplo, o programa Bem-Estar. O programa Bem-Estar, a gente ampliou o programa, trouxe atendimentos na área da saúde, como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros. Há atendimento médico aqui, de uma maneira centralizada, dentro do complexo administrativo. Mas ainda neste mês de maio, a gente está inaugurando mais uma unidade dentro da Universidade Estadual do Maranhão, num programa de parceria entre educação e universidade. Essa rede de educação e saúde do servidor vai ser feita com a universidade. Então, a gente está inaugurando um polo do Bem-Estar lá, com os mesmos serviços que aqui acontecem. E assim que a gente inaugurar o Centro Administrativo de Imperatriz, nos próximos dias, lá também já estará com a estrutura preparada para receber mais um polo do programa Bem-Estar.”
O senhor assinou um ofício autorizando quase 6 mil vagas em concursos públicos para 2026, em áreas como Polícia Militar, Polícia Civil, Saúde e Fazenda. Qual é o argumento central que sustenta essa decisão?
“Nós, novamente sendo patrocinados pelo governador, entendemos que o Estado do Maranhão precisa fortalecer a sua capacidade de gestão e de governança. E essa capacidade é materializada por servidores competentes, servidores que se dedicam diariamente. E os servidores efetivos são importantes eixos, vetores nessa transformação. São servidores que permanecem no quadro definitivamente, possuem estabilidade e são eles que levam a cultura, que passam a cultura. Essa cultura precisa ser fortalecida por eles. E aí, há muito tempo, não se faz. Na verdade, agora é o maior concurso da história do Maranhão. Serão 6 mil vagas de preenchimento imediato e os concursos públicos já começarão. No próximo mês, os concursos públicos já começarão a ser realizados, iniciarão e serão realizados em 2026. Nós, nos próximos dias, já vamos assinar com a banca, o governador vai anunciar nos próximos dias, e vai ser o maior concurso da história do Maranhão. Isso vai fazer com que nossos serviços públicos sejam afetados positivamente, porque mais servidores, mais mão de obra qualificada, naturalmente vão trazer maiores benefícios.”
A última questão: quando o senhor olha para onde o Maranhão estava em gestão pública há 10 anos e para onde chegou hoje, qual é a mudança que ainda não ganhou o reconhecimento que merece, mas que vai fazer diferença real na vida do cidadão nos próximos anos?
“Eu acredito que é a área de tecnologia da informação. Durante esses últimos anos, o Maranhão não encarou com seriedade o importante eixo tecnologia da informação. A tecnologia da informação e comunicação está presente no nosso dia a dia, nas nossas atividades, a cada 10 minutos, quando a gente pega o celular, assistindo a um programa de TV, o cabo de fibra óptica que chega na sua casa. Então, a gente avançou muito em tecnologia e tem muito mais para fazer. Por exemplo, a chegada do cabo submarino, que é este cabo que vem da Europa e agora vai ter uma ramificação até o Maranhão, vai fazer uma grande transformação no estado. Essa transformação é um vetor de atração de grandes empresas, data centers, big datas, como a gente chama, para que aqui se forme um hub de tecnologia, igual aconteceu no Ceará. O Maranhão agora também vai receber o cabo submarino e se colocar definitivamente numa rota. Então, a tecnologia da informação é algo que cresceu muito, mas existe muito a crescer. A chegada do cabo submarino com certeza vai ser um dos principais vetores do desenvolvimento deste estado.”






















