O Porto do Itaqui, no Maranhão, consolidou sua posição como principal porta de entrada de fertilizantes entre os portos do Arco Norte, fortalecendo seu papel estratégico na logística do agronegócio brasileiro.
Dados apresentados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), durante o lançamento do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3, mostram que o terminal maranhense respondeu por 34% de todo o volume de fertilizantes internalizados pelo conjunto dos portos da região.
O crescimento acompanha a consolidação do Arco Norte como principal eixo de desembarque de adubos e fertilizantes do país, superando inclusive o Porto de Paranaguá, no Paraná. Em 2025, os portos do Arco Norte registraram a internalização de 13,36 milhões de toneladas de fertilizantes, enquanto Paranaguá movimentou 10,89 milhões de toneladas.
Segundo o presidente da Conab, Sílvio Porto, o avanço dos portos do Norte e Nordeste reflete uma mudança logística observada nos últimos anos, marcada pelo deslocamento das operações do Sul para o Centro-Norte do país.
De acordo com ele, os investimentos públicos em infraestrutura contribuíram para reduzir distâncias entre áreas produtoras e terminais portuários, beneficiando regiões como o Pará e o Maranhão, especialmente com a atuação do Porto do Itaqui.
A movimentação tem sido importante tanto para a exportação de grãos quanto para a importação de insumos agrícolas, como potássio, ureia e fosfatados, essenciais para a produção nacional.
Outro fator que ajuda a explicar o crescimento do Itaqui e dos demais portos do Arco Norte é a utilização do chamado “frete de retorno”. O modelo permite que caminhões e demais modais levem grãos aos portos e retornem às regiões produtoras transportando fertilizantes, reduzindo custos logísticos.
“O uso do frete de retorno diminui os custos operacionais e reforça a importância da continuidade dos investimentos públicos na infraestrutura logística da região”, destacou o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo de Campos.
Entre 2021 e 2025, as importações de fertilizantes pelos portos do Arco Norte cresceram 62,7%, enquanto Paranaguá registrou leve retração de 0,8% no mesmo período. Para a Conab, melhorias na infraestrutura portuária, aliadas à proximidade com grandes áreas produtoras de grãos e fibras, têm impulsionado esse desempenho.
Além da liderança na entrada de fertilizantes, o Porto do Itaqui também se destaca como um dos principais corredores de exportação de soja e milho do país. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que o terminal maranhense elevou sua movimentação de grãos de 11,55 milhões de toneladas, em 2021, para 20,14 milhões de toneladas em 2025 — crescimento de 74% no período.
O avanço acompanha a expansão das exportações pelos portos do Arco Norte, que passaram de 36,56 milhões de toneladas de grãos embarcados em 2021 para 58,06 milhões de toneladas em 2025, alta de 59%.
O Porto do Itaqui desempenha papel fundamental no escoamento da produção agrícola do Matopiba — região formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. No caso do milho, quase todo o volume exportado pelo Matopiba utiliza o terminal maranhense para acesso ao mercado internacional.
Apesar dessa importância, o Anuário aponta redução recente nas exportações de milho produzido na região por meio do Porto do Itaqui. Após atingir 5,57 milhões de toneladas em 2023, os embarques caíram para 2,73 milhões em 2024 e fecharam 2025 em 1,41 milhão de toneladas.
Segundo a análise da Conab, a retração está relacionada ao aumento do consumo doméstico, impulsionado pela expansão da produção de etanol de milho, especialmente com a instalação de usinas em estados do Nordeste.
O estudo também destaca que a consolidação do Arco Norte — com o Porto do Itaqui entre seus principais pilares — depende da ampliação de investimentos em infraestrutura multimodal, envolvendo rodovias, ferrovias, hidrovias e modernização portuária.
Para a Conab, o fortalecimento dessa rede logística será determinante para ampliar a competitividade do agronegócio brasileiro, garantir eficiência na exportação de grãos e assegurar o abastecimento de fertilizantes necessários à produção agrícola nacional.























