Pais e responsáveis de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão mobilizando órgãos de fiscalização contra a operadora Humana, em razão da precarização no atendimento da nova unidade própria da rede, a Clínica CIN, localizada no bairro do Turu. A unidade ocupa o prédio onde antes funcionava a Clínica Acolher.
A principal reclamação das famílias reside na instabilidade do corpo clínico. Segundo as denúncias, a transição para a unidade própria teria como objetivo central a redução de custos pela operadora (evitando o pagamento de clínicas credenciadas), mas o resultado tem sido uma “dança das cadeiras” de profissionais que impede a formação de vínculo terapêutico.
Para o tratamento de crianças com TEA, a previsibilidade e a confiança no terapeuta são pilares fundamentais. As famílias relatam que os profissionais não permanecem na unidade e que os remanejamentos são constantes, deixando as crianças “reféns” de novas adaptações sucessivas.
“Não se faz economia com o desenvolvimento de uma criança. O tratamento exige estabilidade. Sem vínculo, não há evolução, apenas retrocesso”, desabafa uma das mães que lidera o movimento.
Denúncia ao PROCON e Ministério Público
Diante da falta de resolutividade por parte da operadora, o grupo de pais formalizou denúncias junto ao PROCON-MA e ao Ministério Público do Maranhão (MPMA). O objetivo é que os órgãos intervenham para garantir que a Humana estabeleça uma política de retenção de talentos e valorização dos profissionais; garanta a manutenção das equipes terapêuticas para evitar a interrupção do progresso das crianças; proporcione um ambiente de trabalho adequado que minimize a rotatividade na Clínica CIN.
Vale lembrar que o plano já carrega um histórico de irregularidades: em janeiro deste ano, o Procon aplicou uma multa de R$ 2 milhões contra a operadora por falhas graves e reincidentes. O órgão identificou uma série de abusos, incluindo alterações unilaterais de contrato, negativas de assistência e a interrupção de tratamentos essenciais para crianças com TEA, desrespeitando o direito à cobertura integral das terapias.
As famílias reiteram que a demanda por tratamento especializado em São Luís é crescente e urgente, e que a abertura de clínicas próprias não pode servir como pretexto para a entrega de um serviço de qualidade inferior ao que era oferecido anteriormente na rede credenciada.























