Uma reportagem exibida pela PBS, rede pública de televisão dos Estados Unidos, voltou os holofotes internacionais para os Lençóis Maranhenses, no litoral do Maranhão. A produção foi veiculada pelo projeto PBS Terra, voltado à divulgação científica e ambiental, e apresentou o parque nacional como um dos ecossistemas mais impressionantes e, ao mesmo tempo, mais incompreendidos do planeta.
Na matéria, a emissora norte-americana destaca o impacto visual imediato do local, marcado por dunas de areia branca e lagoas de água doce que surgem durante o período chuvoso. Segundo a reportagem, a ao chegar ao topo das dunas, a reação mais comum é o silêncio, seguido da sensação de estar em “outro planeta”.
A PBS explica que, apesar da aparência árida, os Lençóis Maranhenses não são um deserto. A região recebe cerca de 1.600 milímetros de chuva por ano, volume superior ao registrado em cidades como Londres e em partes da Escócia. Essa alta pluviosidade é justamente o fator que permite a formação das lagoas sazonais que se espalham entre as dunas.
A reportagem também detalha o funcionamento geológico do parque, mostrando como a combinação entre mar, vento e areia cria dunas que podem se deslocar até 24 metros por ano, modificando constantemente a paisagem. Sob a areia, uma camada menos permeável impede a infiltração total da água, possibilitando o acúmulo das lagoas durante a estação chuvosa.
Outro ponto destacado pela PBS Terra é o caráter dinâmico do parque: as lagoas nunca se formam exatamente no mesmo lugar, já que as dunas avançam e soterram antigas depressões, criando novas áreas de acúmulo de água a cada ano. Por isso, segundo os cientistas ouvidos, ninguém vê os Lençóis Maranhenses duas vezes da mesma forma.
A produção norte-americana também chamou atenção para a biodiversidade do local, resultado do encontro de três biomas diferentes. Entre as espécies citadas está a pininga, uma tartaruga de água doce endêmica do parque, além de peixes que completam todo o ciclo de vida em poucos meses, deixando ovos resistentes à seca enterrados na areia.
Além da ciência, a reportagem registrou o impacto emocional causado pelo parque. Visitantes e pesquisadores relataram sensações de silêncio, amplitude e transformação pessoal ao vivenciar o ambiente, descrito como um “laboratório natural a céu aberto”.
Com cerca de 2 milhões de anos de existência, os Lençóis Maranhenses seguem despertando fascínio no mundo todo. Ao destacar o parque, a PBS reforça a importância ambiental, científica e cultural de uma das paisagens mais singulares do Brasil, onde tudo está em constante movimento e reconstrução.























