O Porto São Luís tem ampliado ações sociais voltadas à capacitação profissional de mulheres que vivem nas comunidades do Cajueiro, Mãe Chica e áreas do entorno, na capital maranhense. As iniciativas buscam estimular o empreendedorismo, abrir oportunidades de trabalho e fortalecer a geração de renda local.
Por meio do Programa Social do empreendimento, são oferecidos cursos gratuitos em áreas como empreendedorismo básico, manipulação de alimentos, produção de doces e salgados, bolos caseiros, corte e costura e beleza. As atividades são realizadas em parceria com instituições como o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A proposta é ampliar as oportunidades de qualificação para mulheres da própria comunidade, estimulando a criação de pequenos negócios e fortalecendo a economia local. Muitas participantes, que antes não exerciam atividades remuneradas, passaram a contribuir diretamente para a renda familiar ou até mesmo se tornaram as principais provedoras de casa.
Segundo a gerente do porto, Lívia Cândice, o impacto das iniciativas vai além do aspecto econômico. “O impacto dessas iniciativas vai muito além da renda. Muitas mulheres recuperam a confiança em si mesmas, passam a se sentir produtivas e protagonistas de suas próprias trajetórias. Essa é a melhor forma de nos relacionarmos com a comunidade, ajudando a desenvolver pessoas e a potencializar talentos”, afirma.
Entre as histórias que surgiram a partir das capacitações está a da artesã Flor de Lys Pereira de Araújo, moradora do Cajueiro. Aos 60 anos, ela montou um ateliê em casa após participar de um curso de corte e costura. Hoje produz bolsas e mochilas que já começaram a ser vendidas para outros estados.
“Parece que eu renasci quando aprendi a costurar. Comprei minha máquina, que é minha grande companheira hoje. Quero inspirar mais mulheres a buscarem trabalho e renda”, conta.
Outra participante é Maria Antônia Ferreira Reis Conceição, de 60 anos, moradora da comunidade Mãe Chica. Ela participou de quatro cursos — empreendedorismo básico, doces e salgados, corte e costura e bolos caseiros — e criou a própria marca de produtos artesanais.
“Aprendi sobre qualidade, controle financeiro e a valorizar meu trabalho. Com isso comecei a lucrar mais e consegui comprar uma máquina industrial”, relata.
A experiência também despertou o empreendedorismo de Maria de Jesus Sales de Lacerda, conhecida como dona Dijé. Após participar de um curso de alimentação alternativa, ela abriu o restaurante Praia do Cajueiro / Quintal Gastronômico, que administra ao lado do marido.
Outra história é a de Raylane Gomes Dias, de 33 anos. Depois de concluir o curso de bolos caseiros, ela passou a vender produtos na comunidade e firmou contrato para fornecer lanches para projetos sociais do próprio porto.
As iniciativas também incentivaram o surgimento de grupos de economia criativa. Um exemplo é o coletivo Mãos Virtuosas, formado por mulheres da comunidade Mãe Chica e liderado por Jacilene Pereira Correia de Abreu, de 37 anos.
O grupo reúne artesãs e costureiras que produzem peças e produtos personalizados. Em 2025, elas foram selecionadas em um edital público para fornecer mais de 800 ecobags à Secretaria de Estado do Trabalho e da Economia Solidária do Maranhão (Setres).
“Comecei com apenas uma máquina de costura caseira. Hoje tenho três máquinas industriais e quero ampliar o negócio para ajudar mais mulheres a crescerem com o próprio trabalho”, afirma Jacilene.
De acordo com a organização, os programas sociais buscam fortalecer o protagonismo feminino nas comunidades vizinhas ao porto, estimulando autonomia econômica e novas perspectivas de vida para as participantes.























