Pais de crianças que morreram no Hospital da Criança, em São Luís, voltaram às ruas na manhã desta segunda-feira (20) para realizar um novo protesto em frente à unidade de saúde. Manifestantes cobraram respostas das autoridades, a responsabilização dos envolvidos e mudanças que garantam mais segurança no atendimento às crianças internadas.
O ato ocorre poucos dias após a manifestação silenciosa realizada na última quinta-feira (16), quando mais de 100 cruzes foram colocadas em frente ao hospital em homenagem às crianças que morreram nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). Assim como no primeiro protesto, participaram familiares das vítimas, amigos e apoiadores, que afirmam que o movimento busca manter viva a cobrança por justiça e impedir que novas famílias enfrentem a mesma dor.
A mobilização acontece em meio às investigações conduzidas pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública do Estado (DPE-MA), Polícia Civil e técnicos do Ministério da Saúde, que apuram denúncias de supostas irregularidades na assistência prestada nas UTIs pediátricas da unidade.
O caso também ganhou contornos políticos após a gestão municipal sustentar que as denúncias e manifestações estariam sendo utilizadas para atingir a pré-campanha do prefeito Eduardo Braide ao Governo do Maranhão. Os familiares, porém, rejeitam essa versão e afirmam que o movimento é independente e motivado exclusivamente pela busca de justiça para as crianças que morreram e por melhorias no atendimento hospitalar.
A crise no Hospital da Criança se intensificou após a divulgação de dados que apontam aumento no número de mortes nas UTIs. Indicadores internos mostram que, no primeiro semestre de 2026, foram registrados 56 óbitos nas unidades de terapia intensiva, contra 39 no mesmo período de 2025, um crescimento de 43,6%. Em junho deste ano, a UTI 1 apresentou taxa de mortalidade de 38%, com 11 mortes entre 38 internações e ocupação de 94%.
Denúncias também apontam redução significativa da equipe médica após a empresa IBMED assumir a gestão das três UTIs da unidade em 2025. Segundo relatos de profissionais da área, o número de plantonistas teria sido reduzido de 53 para 18 médicos, situação que, de acordo com as denúncias, comprometeu a qualidade da assistência. A empresa, por sua vez, afirma que atua em conformidade com as normas técnicas que regulamentam o funcionamento das UTIs.
A repercussão do caso aumentou após críticas à primeira nota divulgada pela Secretaria Municipal de Saúde (Semus), que contestou os números apresentados sobre a mortalidade, mas foi alvo de questionamentos por não manifestar solidariedade às famílias das crianças que morreram. Enquanto as investigações avançam, os pais prometem manter as mobilizações até que haja esclarecimento dos fatos e eventual responsabilização dos envolvidos.



















