A piscicultura brasileira alcançou um marco histórico em 2025 ao ultrapassar, pela primeira vez, a marca de 1 milhão de toneladas de peixes de cultivo.
De acordo com o Anuário 2026 da Associação Brasileira da Piscicultura, a produção nacional chegou a 1,011 milhão de toneladas, crescimento de 4,41% em relação a 2024.
Dentro desse cenário de expansão, o Maranhão aparece entre os principais produtores do país, com destaque para o avanço da tilápia, espécie que lidera a piscicultura nacional e impulsiona a cadeia produtiva em diversos estados.
A tilápia segue como a grande protagonista da piscicultura brasileira. Em 2025, a espécie atingiu 707,4 mil toneladas produzidas, registrando crescimento de 6,83% em comparação ao ano anterior e representando quase 70% de todo o peixe cultivado no país.
Desde 2015, quando o primeiro levantamento do setor apontava cerca de 285 mil toneladas da espécie, o crescimento acumulado chega a 148%, consolidando a tilápia como a base da produção aquícola nacional.
Esse avanço também beneficia estados do Nordeste, incluindo o Maranhão, que figura entre os maiores produtores de peixe cultivado do país e fortalece sua participação na cadeia produtiva.
MARANHÃO ENTRE OS MAIORES PRODUTORES
No ranking nacional da piscicultura, o Maranhão aparece entre os cinco maiores produtores do Brasil, com 59,6 mil toneladas de peixes cultivados em 2025.
O estado integra o grupo formado também por Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina, que concentram grande parte da produção nacional.
Além disso, o Maranhão tem papel relevante na produção de peixes nativos, ocupando a segunda posição no país, com 42,7 mil toneladas, atrás apenas de Rondônia.
Especialistas apontam que o crescimento da piscicultura maranhense está ligado à ampliação de investimentos, à profissionalização da produção e ao aumento da demanda por pescado.
AMBIENTE DE DESAFIOS PARA O SETOR
Apesar do crescimento da produção, o setor enfrentou desafios ao longo de 2025. Segundo o presidente-executivo da Associação Brasileira da Piscicultura, Francisco Medeiros, fatores como oscilações climáticas, problemas sanitários e instabilidade cambial pressionaram a atividade.
Outro ponto de atenção foi o chamado “tarifaço” imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo pescados, além da concorrência com filés de tilápia importados do Vietnã, que ampliaram a disputa no mercado.
Entre as regiões do país, o Sul registrou o maior crescimento em 2025, com aumento de 8,08% e produção de 360,8 mil toneladas.
O Sudeste aparece na sequência, com 195,6 mil toneladas, seguido de perto pelo Nordeste, que alcançou 193,7 mil toneladas. Já a região Norte foi a única a apresentar retração, com queda de 1,41%.
PERSPECTIVAS PARA O SETOR
Para 2026, a expectativa é de continuidade do crescimento da piscicultura brasileira, com o setor apostando no aumento do consumo interno e na expansão das exportações.
De acordo com Francisco Medeiros, o desafio agora é ampliar a competitividade internacional, diversificar mercados e investir em sustentabilidade.
Se o ritmo de crescimento for mantido, o Brasil projeta se tornar líder mundial na produção de peixes de cultivo até 2040, consolidando a piscicultura como um dos segmentos mais promissores do agronegócio nacional.























