São Luís pode estar diante de um novo momento a partir de abril. Mais do que uma simples mudança administrativa, o que se coloca é a possibilidade de a cidade finalmente romper com um modelo de gestão que, nos últimos anos, a manteve travada — e passar a operar com diálogo, planejamento e capacidade real de execução.
A expectativa em torno do nome de Esmênia surge nesse contexto. Não como um discurso vazio de mudança, mas como resposta a uma realidade concreta: São Luís acumulou problemas estruturais e hoje enfrenta limites claros de um modelo que centraliza decisões, evita parcerias e entrega, na prática, soluções pontuais para problemas complexos.
A cidade, de fato, ficou para trás em áreas fundamentais.
A infraestrutura urbana segue com deficiências em várias regiões, as políticas sociais perderam capilaridade e, principalmente, a mobilidade urbana atingiu um nível crítico. São Luís hoje vive uma situação em que o sistema de transporte por ônibus é insuficiente, desorganizado e incapaz de responder à demanda de uma cidade com mais de um milhão de habitantes.
O resultado é sentido todos os dias: basta um pequeno acidente em uma via principal para que a cidade praticamente pare. O trânsito entra em colapso, trabalhadores perdem horas do dia, profissionais autônomos deixam de produzir, e até pessoas doentes enfrentam dificuldades para se deslocar. Isso não é percepção — é a rotina concreta de quem vive a cidade.
Mesmo diante desse cenário, o que se viu ao longo dos últimos anos foram intervenções pontuais, de caráter paliativo, incapazes de resolver o problema estrutural. E, após seis anos de gestão, surge um pacote de obras de R$ 1,6 bilhão que tenta passar a ideia de grande transformação, mas que, na prática, reforça uma lógica de protagonismo pessoal — como se o futuro da cidade dependesse exclusivamente de quem está no comando.
Esse tipo de condução está diretamente ligado a um modelo de gestão centralizador, que não constrói soluções coletivas e dificulta o avanço estrutural da cidade. Esse modelo, além de limitar os resultados da própria gestão, acaba deixando uma cidade engessada, com dificuldades reais para avançar no curto prazo.
São Luís não tem mais espaço para esse modelo.
A cidade precisa dar um salto de nível — e isso passa, necessariamente, por planejamento e por parceria. Nenhuma capital com mais de um milhão de habitantes consegue se modernizar apenas com recursos próprios. É uma questão objetiva: embora o orçamento do município tenha crescido progressivamente ao longo dos últimos anos, as demandas represadas são muito maiores.
E são demandas concretas.
Organizar o sistema de transporte público, estruturar o transporte alternativo — que já possui legislação e precisa ser implementado de forma organizada —, e iniciar um processo de modernização que leve São Luís a entrar definitivamente na era da mobilidade de alto padrão, com transporte sobre trilhos, exige investimento pesado.
Isso custa dinheiro. Muito dinheiro.
Por isso, insistir no discurso de que é possível resolver tudo apenas com recursos próprios é, na prática, limitar o futuro da cidade. Funciona como propaganda, mas não como estratégia de desenvolvimento.
Se São Luís quiser avançar de verdade, será preciso construir uma relação concreta com o Governo do Estado, com o Governo Federal e com outras fontes de financiamento, incluindo parcerias com a iniciativa privada e cooperação internacional.
O governador Carlos Brandão, com seu perfil municipalista, já demonstrou inúmeras vezes disposição para investir na capital. Mesmo sem uma relação institucional plena com a Prefeitura, o Estado realizou ações importantes em São Luís. Com uma gestão aberta ao diálogo, essa parceria pode alcançar outro patamar — com planejamento integrado e execução coordenada, permitindo que Estado e Município avancem juntos.
Da mesma forma, o alinhamento com o governo do presidente Lula amplia significativamente a capacidade de investimento, especialmente nas áreas sociais e de infraestrutura.
E exemplos não faltam.
Curitiba, por exemplo, recebeu recentemente, por meio de cooperação internacional com a França, 100 ônibus elétricos, dentro de uma estratégia de modernização do sistema de transporte e de transição para energia limpa. Isso só é possível com articulação, planejamento e capacidade de construir parcerias.
São Luís pode — e precisa — seguir esse caminho.
Mas essa mudança não se resume à relação entre governos.
A cidade também precisa de uma gestão que respeite as instituições. Que dialogue com o Ministério Público, com o Judiciário e, principalmente, com a Câmara Municipal, que pode — e deve — ter um papel muito mais ativo na construção de soluções para a cidade.
Da mesma forma, é fundamental ampliar a participação da população, ouvir mais, incorporar demandas reais e construir políticas públicas com base na realidade de quem vive os problemas no dia a dia.
É nesse cenário que o nome de Esmênia ganha relevância.
Vinda de uma origem simples, de uma família que enfrentou dificuldades, Esmênia carrega uma vivência muito diferente da atual gestão — marcada por uma origem social distante da realidade da maioria da população. Essa diferença não é apenas simbólica. Ela pode influenciar diretamente a forma de governar, fortalecendo políticas públicas voltadas à assistência social e ao enfrentamento das desigualdades.
Mas não basta sensibilidade. Será preciso firmeza.
A cidade exige respostas rápidas, especialmente em áreas críticas como mobilidade urbana, hoje em situação grave e complexa. E exige também autonomia.
São Luís não pode trocar um modelo centralizador por uma gestão que apenas reproduza decisões de bastidores. É fundamental que haja coragem para governar, para tomar decisões e para estabelecer um caminho próprio.
A cidade precisa virar a página.
E, a partir de abril, pode começar a fazer isso com mais consistência — não apenas mudando nomes, mas mudando a forma de governar.
Porque São Luís não precisa de mais intervenções pontuais.
Precisa de direção, de decisão e de coragem para fazer o que precisa ser feito.























